Resumo rápido
Testosterona feminina: indicação com maior evidência para desejo sexual hipoativo pós-menopausa. Queda progressiva com envelhecimento e abrupta após ooforectomia. Avaliação: testosterona total + livre + SHBG + exclusão de outras causas. Monitoramento obrigatório durante tratamento para evitar superdosagem.
A testosterona feminina tem indicação com maior evidência para o desejo sexual hipoativo pós-menopausa. A avaliação combina dosagem sérica com sintomas clínicos. O monitoramento dos níveis durante o tratamento é obrigatório para evitar superdosagem e seus efeitos adversos.
O que entender sobre este tema
A testosterona é frequentemente associada ao sexo masculino, mas é produzida — em quantidades menores — também pelas mulheres: pelos ovários e pelas glândulas suprarrenais. Tem papel na libido, na disposição, na força muscular, na função cognitiva e no bem-estar geral.
Os níveis de testosterona nas mulheres caem progressivamente com o envelhecimento — até 50% da produção é perdida entre os 20 e os 45 anos. A ooforectomia bilateral (retirada cirúrgica dos ovários) causa queda abrupta dos níveis, geralmente para menos da metade dos valores pré-operatórios.
A deficiência de testosterona feminina (também chamada de insuficiência androgênica feminina) manifesta-se principalmente com: redução significativa do desejo sexual (libido), fadiga persistente sem outra causa, redução de bem-estar e humor e, em menor grau, redução de força muscular. Não existe um nível sérico único que define a "deficiência" — a correlação entre nível hormonal e sintomas é variável.
A indicação com maior respaldo nas diretrizes internacionais (Global Consensus Position Statement on the Use of Testosterone Therapy for Women, 2019) é o desejo sexual hipoativo (DSH) em mulheres na pós-menopausa, com benefício demonstrado em ensaios clínicos randomizados. Para outras indicações (fadiga, composição corporal, humor), a evidência é mais fraca.
A avaliação deve incluir: dosagem sérica de testosterona total e livre (preferencialmente pela manhã), SHBG, e exclusão de outras causas dos sintomas (hipotireoidismo, anemia, depressão, síndrome urogenital da menopausa, efeitos colaterais de medicamentos). A testosterona não é a primeira avaliação em fadiga genérica.
A testosterona pode ser administrada como gel tópico, creme, implante subcutâneo (chip) ou comprimido sublingual. Cada formulação tem perfil diferente de liberação e monitoramento. A via mais estudada para mulheres — e com mais dados de segurança — é o gel ou creme tópico transdérmico, em dose individualizada.
Quando considerar a avaliação dos níveis de testosterona feminina
A avaliação dos níveis de testosterona feminina pode ser considerada quando há: redução significativa e persistente do desejo sexual que impacta a qualidade de vida, especialmente após a menopausa ou ooforectomia; fadiga persistente sem outra causa identificada após avaliação clínica completa; ou quando a terapia hormonal da menopausa não foi suficiente para os sintomas sexuais.
A diferença entre testosterona total, livre e SHBG
A SHBG (globulina ligadora de hormônios sexuais) transporta a testosterona no sangue. A testosterona ligada à SHBG não é biologicamente ativa — só a testosterona livre (ou a ligada a albumina, de baixa afinidade) tem efeito nos tecidos. Mulheres com SHBG muito elevada (comum com uso de anticoncepcionais orais) podem ter testosterona total normal mas testosterona livre baixa. A avaliação combinada é mais informativa.
Monitoramento durante o uso de testosterona feminina
O monitoramento inclui: dosagem sérica de testosterona 4-6 semanas após o início ou ajuste de dose, hemograma (risco de policitemia em doses altas), perfil lipídico, e avaliação clínica de efeitos androgênicos (acne, queda de cabelo, alteração de voz). O objetivo é manter os níveis dentro da faixa fisiológica feminina normal — não elevar acima do fisiológico.
Testosterona feminina e saúde óssea
A testosterona contribui para a densidade mineral óssea nas mulheres — os receptores androgênicos nos osteoblastos respondem à testosterona. Em mulheres com deficiência androgênica após ooforectomia, a terapia com testosterona pode ser complementar ao estrogênio para a saúde óssea. Mas não substitui o tratamento específico de osteoporose quando indicado.
Perguntas frequentes
Como saber se meu nível de testosterona está baixo?
A dosagem sérica de testosterona total é o primeiro exame — mas a interpretação exige cuidado: os valores de referência são amplamente variáveis entre laboratórios, e a correlação entre nível sérico e sintomas não é perfeita. A avaliação deve combinar o exame laboratorial com os sintomas clínicos e excluir outras causas.
Testosterona feminina causa masculinização?
Com níveis dentro da faixa fisiológica feminina e monitoramento adequado: não. Em caso de superdosagem, podem ocorrer: acne, seborréia, queda de cabelo androgenética, aumento do pelo corporal, engrossamento da voz (irreversível) e aumento do clitóris. Por isso o monitoramento dos níveis séricos é obrigatório durante o tratamento.
Testosterona feminina pode ser usada durante a gravidez?
Não. Testosterona é contraindicada na gestação — pode virilizar um feto feminino. Mulheres que não estão na menopausa e usam testosterona precisam de contracepção eficaz. O implante subcutâneo não é compatível com planejamento de gestação próxima.
Testosterona melhora o humor e a depressão em mulheres?
Há evidência preliminar de efeito positivo no bem-estar e no humor, mas insuficiente para recomendar testosterona como tratamento de depressão. Se há depressão, o tratamento psiquiátrico adequado tem maior evidência. O uso de testosterona pode ser complementar em mulheres com deficiência documentada e sintomas sobrepostos.
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Cada paciente tem contexto, sintomas, objetivos e limites próprios. Uma avaliação cuidadosa ajuda a entender o que faz sentido para o seu caso, com orientação individualizada e sem promessas irreais.